| A
evolução do Livro tem uma ligação
irrestrita com a progresso do homem em seus diferentes
níveis de compreensão: social, cultural,
político e geográfico. O livro,
como é conhecido hoje, sempre foi tratado
como um produto intelectual, base para a aquisição
de conhecimento sobre os mais diversos tipos de
assuntos e temas. |
|
Mas o
Livro nem sempre existiu na forma em que o conhecemos.
Pelos povos em que passou, apresentou-se em diferentes
formatos. Entre os Sumérios, uma das civilizações
mais antigas da humanidade, localizada ao sul da Mesopotâmia,
onde hoje conhecemos como Iraque, o livro tinha formato
de um tijolo de barro cozido, argila ou pedra, com
textos gravados ou cunhados na escrita Cuneiforme
(primeiro registro humano de escrita, surgida três
mil anos a.C).
Na Índia,
o Livro era produzido em folhas de palmeira. Nas civilizações
Maia e Asteca, tinha forma de sanfona e era gravado
em tipo específico de material, extraído
da polpa existente entre a casca da árvore
e a madeira. Na China, seu surgimento se deu em rolos
de seda. Já os Romanos utilizavam tábuas
de madeira com uma fina camada de cera.
O Livro
teve um registro digamos, diferenciado, no Egito,
civilização na qual se registrou sua
primeira grande evolução. Tal progresso
se deu com a chegada da Escrita Hieroglífica,
cunhada em rolos de papiro de até vinte metros
de cumprimento. Naquela época, o Livro era
considerado artigo de luxo. Por ser uma civilização
na qual a religião era o principal pilar, a
escrita e, por conseqüência, os livros
eram privilégio de sacerdotes, reis, rainhas,
membros da realeza e escribas.
| A
era Gutenberg e a popularização
do Livro
Dando
um salto nesta cadeia evolutiva, bem mais tarde
o papel, já muito conhecido em terras
chinesas, chega à Europa com o advento
da prensa de Joannes Gutenberg, em 1455. Com
a imprensa dotada de tipos móveis reutilizáveis,
criada por Gutenberg, surge o primeiro livro
impresso. A Bíblia é a primeira
versão impressa de que se tem conhecimento.
A técnica da impressão reduziu
os custos de produção em série,
o que tornou o Livro mais acessível.
Com
a imprensa de tipos móveis reutilizáveis,
surgiu a tipografia, fundamental para a impressão
de textos. A cada nova técnica, era necessária
a criação de novas ferramentas
que complementavam a produção
do produto final. No caso da tipografia, foi
preciso criar um novo desenho de letras e caligrafias.
|

A Bíblia
de Gutenberg.
|
Outra
importante personalidade na história do Livro
foi o italiano Aldus Manutius, que revolucionou as
técnicas tipográficas do livro, levando
ao que hoje conhecermos como design gráfico.
Censura
ao Livro
A forte
expansão entre a sociedade fez do livro alvo
de censura por parte de autoridades e instituições,
a principal delas, a Igreja. Em 1559, durante o período
da Inquisição, a Sagrada Congregação
da Inquisição Romana publicou a Lista
dos Livros Proibidos, o Index Librorum Prohibitorum.
Um de seus principais objetivos era, justamente, tornar
público à sociedade uma relação
de livros que não poderiam ser lidos ou publicados
por conterem "conteúdo pernicioso ou subversivo",
na visão da Igreja.
 |
Já
na Idade Média, a perseguição
a determinados tipos de livros é acentuada,
isto porque, alguns membros da sociedade passaram
a ver o livro de forma fervorosamente religiosa,
considerado-o até mesmo como objeto de
salvação. É também
na Idade Média que surgem os textos didáticos
produzidos por monges copistas, cuja principal
função era reproduzir as obras de
herdeiros dos escribas egípcios e de outras
figuras de forte representatividade na sociedade
daquela época. |
Novas
Técnicas
Logo
em seguida surgem as margens e as páginas em
branco, além da pontuação dos
textos e as letras maiúsculas. Neste mesmo
período, registraram-se também as primeiras
publicações com índices, sumários,
resumos. Alguns até mesmo categorizados em
gêneros, entre eles: os didáticos, os
florilégios - que é a coletânea
de diferentes autores -, e os eróticos. Como
mais importantes, se destacam os livros em língua
Vernacular, responsáveis pela quebra do monopólio
do latim na literatura.
| O
Livro Eletrônico
O
surgimento de novas mídias atingiu muitas
áreas da indústria cultural. Produtos
tradicionais como a música, o cinema,
a televisão, o rádio e as edições
diárias dos jornais mais lidos de todo
o mundo sofreram fortes interferências
de um novo e revolucionário meio de comunicação:
a internet. Com o Livro não foi diferente.
Mesmo não obedecendo as características
milenares da produção do Livro,
no final do século XX, o mercado editorial
foi balançado por mais uma novidade da
grande rede: o livro eletrônico.
|
|
O
e-book, como ficou conhecido o livro eletrônico,
trata-se de um arquivo digital, disponível
em um endereço eletrônico na internet,
o qual pode ser lido na tela de um computador. Apesar
de ser uma tecnologia pouco difundida, alguns e-books
podem ser, como dizem na grande rede, "baixados"
por meio de download. Apesar das facilidades,
atualmente, pelo menos no Brasil, poucas pessoas têm
recorrido a esta tecnologia. No país, a leitura
do tradicional do Livro impresso ainda impera.
O Livro
hoje
A produção
do Livro hoje é claramente mais simplificada
do que há mais de três mil anos. A tecnologia
e a modernização dos meios de comunicação
e de produção facilitaram este processo.
Em tempos modernos, entre a redação,
revisão, diagramação, tiragem,
publicação e compra de um Livro, leva-se
apenas puocos meses.
Atualmente
o Livro habita grande parte dos lares brasileiros
e, principalmente, o imaginário da criança,
do adolescente, do adulto e do idoso. Em 2006, foram
publicados quase 50 mil títulos e produzidos
mais de 320 milhões de exemplares. Tal fato
é considerado uma vitória e representa
o crescimento do mercado e a consequente popularização
do Livro. Hoje,
o incentivo à leitura tornou-se uma política
pública e tem sido uma bandeira levantada por
dezenas de entidades, entre elas, a Câmara do
Livro do Distrito Federal.